sexta-feira, 5 de maio de 2017

Encontro com um autor: entrevista a Margarida Fonseca Santos



Encontro com a escritora Margarida Fonseca Santos

A anunciar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor que se celebra a 23 de abril, realizou-se na Biblioteca Escolar da Escola Básica e Secundária do Vale do Âncora um encontro com a escritora Margarida Maria Fonseca Santos, a 21 de abril. Todas as turmas do 6.º ano estiveram presentes para conhecer melhor esta autora e as suas obras de literatura infanto-juvenil, que os alunos foram descobrindo nas aulas de Português, como por exemplo, «7x25 Histórias da Liberdade», «Bicicleta à Chuva», «Está nas tuas mãos» e a coleção «7 Irmãos», escrita em parceria com Maria João Lopo de Carvalho. A disponibilidade da autora e a sua simpatia permitiram estabelecer um diálogo caloroso e enriquecedor com os seus leitores.

Guilherme L. -  O que sonhava ser quando era criança?
Margarida Fonseca Santos (M. F. S.) - Sonhava ser professora, porque tinha uma grande paixão pelo ensino.

João D. - Quando andava no segundo ciclo gostava da disciplina de Português?
M. F. S. - Sim, pois tinha jeito para a escrita, lia muito, mas não ligava muito a essas minhas capacidades.
Jéssica M. - Que género de livros lia quando tinha a nossa idade?
M. F. S.: Na altura, não existiam muitas obras para crianças. Das que eram publicadas, as que preferia eram as aventuras da autora Enid Blyton, a coleção “Os Cinco”.

Cláudio R. /Sandro B. /Patrícia S. - Estudou Piano e foi professora de Formação Musical. Qual o motivo que a levou a substituir a música pela escrita?
M. F. S. - Vi-me obrigada a abandonar a música por razões de saúde que não me permitiam tocar piano, dar aulas práticas, mas não gostava de dar aulas teóricas. Naquela época, contava imensas histórias aos meus filhos, e uma amiga ouviu algumas delas e disse-me que não as podia perder. Decidi, então, dedicar-me à escrita.  A partir daí, não desisti até que as minhas histórias fossem publicadas.

Fernando C.  - Com que idade escreveu o seu primeiro livro?
M. F. S. - Escrevi o meu primeiro livro com 33 anos, mas só foi publicado dois anos depois.

Bruno C. - Gosta mais de escrever livros para crianças ou adolescentes? Quais são as diferenças da escrita?
M. F. S. – Não há grandes diferenças. Também escrevo para adultos, e aí é muito diferente: sinto-me mais à vontade, porque são pessoas da minha idade. Para jovens, sinto que a minha responsabilidade é maior, ainda estão a “crescer”.

Carolina A. - Enquanto está a escrever, partilha as suas histórias com alguém para pedir conselhos?
M. F. S. - Quando acabo, sim, peço ajuda ao meu marido, pois é sincero e dá-me bons conselhos que costumo respeitar. Porém, enquanto escrevo, não, porque gosto de estar concentrada no meu trabalho.

Carina S. - Qual foi o livro que lhe deu mais prazer a escrever e porquê?
M. F. S. – Não posso falar de “prazer”, mas aquele com que mantenho uma relação especial é «Bicicleta à chuva», porque foi inspirado num facto real. O tema da história é o “bullying” e surgiu, quando numa visita a uma escola, uma menina esperou por mim no fim do encontro como este e desabafou comigo. Contou-me que estava muito angustiada, porque a mãe e o irmão mais novo, de três anos, sofria violências constantes por parte do pai. Esta situação deixou-me sensibilizada e decidi abordar esse problema, alterando um pouco os factos, numa obra seguinte, tentando ajudar jovens leitores com situações parecidas.

Mafalda B. - As suas obras têm títulos invulgares. Como lhe surgem? 
M. F. S. - Não tenho jeito nenhum para isso, por isso costumo pedir ajuda à minha grande amiga escritora Maria Teresa Maia Gonzalez, com quem partilhei a escrita de algumas histórias, como “Um pombo chamado Colombo” e “A escritora vem à minha escola”. A Teresa inventa títulos com muita facilidade, basta eu lhe falar de algumas ideias da obra e logo faz-me propostas irresistíveis.

Maria M. - Já escreveu livros com outros escritores ou escritoras? Prefere escrever sozinha ou com outros escritores?
M. F. S. – Já escrevi em parceria com Elsa Serra (Quero ser escritor), Maria João Lopo de Carvalho (7 Irmãos) e Maria Teresa Maia Gonzalez. Gostei muito destas experiências de partilha: destas parcerias nasceram grandes amizades. Temos de ouvir as opiniões dos outros e, por vezes, temos de fazer cedências, Apesar de gostar muito de escrever com outros escritores e de aprender muito com eles, prefiro escrever sozinha, porque assim, a qualquer momento, posso mudar a história toda.
Inês R. - Na coleção “7 Irmãos”, porque é que todos os irmãos têm nomes começados por “M”? 
M. F. S. - Se a escritora Maria João Lopo de Carvalho, com quem escrevo essa série, estivesse aqui, diria que era porque gostamos de “M&M’S”, mas não é por isso Quando procuramos nomes para as personagens, constatamos que há mais nomes começados por “m” do que outra letra, foi mais fácil. E os nossos próprios nomes também começam por “m”… 

Simão S. - Lemos nas aulas de Português o conto « Eu, o lápis azul» da obra «7x25 Histórias de Liberdade» que é sobre a Revolução do 25 de Abril de 1974. Há histórias sobre outros símbolos desse momento histórico. Porque é que não escreveu sobre o cravo, que é o símbolo da Revolução?
 M. F. S. - Eu não escrevi sobre o Cravo de Abril porque no livro «7x25 Histórias de Liberdade», escolhi pôr a falar a espingarda dos militares revolucionários, não como um símbolo da morte, mas como um símbolo da Revolução, da democracia. Pois, colocaram cravos nos canos das espingardas, assim a arma já não servia para matar, mas sim para festejar a Liberdade.

Rúben P. – Lembra-se de algum episódio do 25 de Abril de 1974?

M. F. S. – Não, exatamente do dia 25 de Abril: ficamos fechados em casa, porque na rádio os militares tinham pedido às pessoas para não saírem à rua. Mas lembro-me do encontro do meu pai com uma prima, que tinha sido presa e torturada pela PIDE e, quando o meu pai a quis abraçar, ela, instintivamente, recuou como se a fosse magoar. É uma imagem que nunca vou esquecer. Outro momento de que me lembro, tinha então 13 anos, foi o regresso à escola, um dia ou dois depois. Já fomos sem batas – porque antes o uso da bata era obrigatório – e as raparigas, que tinham de vestir saias abaixo do joelho, enrolaram a cintura e assim transformaram-nas em minissaias. Foram momentos emocionantes, de liberdade, organizava-se associações de estudantes, andávamos em reuniões. Mas também me lembro que, quando chegamos à escola, verificamos que nem todos os que lá trabalhavam concordavam com a Revolução e que queriam manter a ditadura. Não eram muitos, mas isso surpreendeu-me.
Tatiana S. – Escreveu “7x25 Histórias da Liberdade” e “7x1910 Histórias da República”. Para si, qual é a importância de escrever sobre a História de Portugal para crianças?
M. F. S. – Conhecer a História do nosso país é fundamental e fico encantada quando as crianças aprendem de forma divertida. Fico muito feliz quando os professores leem as minhas histórias nas suas aulas e despertam assim o interesse dos seus alunos por acontecimentos importantes da nossa História.

Daniela A. - Qual é a sensação de ver uma obra sua numa livraria, à disposição do leitor?  
M. F. S. – É algo de emocionante. Um dia, estava no metro e vi um senhor, sentado mesmo à minha frente, a ler um dos meus livros para adultos, “ Uma pedra sobre o rio”. Fiquei muito atrapalhada - com medo que me reconhecesse - mas também muito emocionada. Queria saber o que estava a achar da obra, hesitei, mas não tive coragem de lhe perguntar. Na estação seguinte, foi-se embora sem dar conta de mim…

Rânia - Gosta de vir às escolas apresentar as suas obras?
M. F. S. - Para mim, é um prazer apresentar as minhas obras em todas as escolas. Mas prefiro apresentá-las nas escolas onde os alunos conhecem os meus livros, onde os professores abordam com eles as histórias que escrevo. Agrada-me estar aqui, no Norte, pois vejo-vos empenhados e interessados no que tenho para vos dizer.

Alunos do 6.º A, B, D

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Encontro com Margarida Fonseca Santos

Os alunos de sexto ano receberam na última quinta-feira uma convidada muito especial, uma escritora  das mais conhecidas escritoras infanto-juvenis, Margarida Fonseca Santos, numa iniciativa da Rede de Bibliotecas Escolares do Concelho de Caminha. 
Antecipadamente, nas aulas de Português, os alunos preparam o encontro, explorando várias obras da autora: 7X25 Histórias de Abril, Bicicleta à chuva, O peixe azul, as aventuras dos 7 irmãos, entre outras. Realizaram trabalhos de escrita criativa a partir do texto " O lápis azul", inserido no 7X25 Histórias de Abril.
A escritora ficou muito sensibilizada pelo trabalho desenvolvido pelos alunos e professores. Manifestou uma grande empatia com os seus jovens leitores, proporcionando momentos muito agradáveis de relatos e troca de questões e opiniões.












quinta-feira, 20 de abril de 2017

Semana da Leitura: visita à Biblioteca Municipal de Caminha

Durante a Semana da Leitura (na terça-feira 21 de março), os alunos das turmas A e D do sexto ano, acompanhados pelos seus respetivos diretores de turma (prof. Luís Viana e prof.ª Jovina Domingues) e pela PB, decobriram as recentes instalações da Biblioteca Municipal de Caminha. Foram recebidos pela sua diretora, Drª.Celina Lopes, e ficaram a conhecer as instalações e serviços prestados pela BM.




quarta-feira, 5 de abril de 2017

Semana da Leitura: Dia Mundial do Teatro e Dia Mundial da Poesia

Os alunos de expressão dramática da turma D de sétimo ano prepararam, com o apoio precioso do professor Borlido, uma apresentação de Teatro de luz negra. Os alunos de 6.º ano puderam apreciar  as várias formas de expressão para  celebrar a Poesia, com jogos de luz e de sombras, movimento, declamação de poemas de Sebastião da Gama, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Sophia de M. B. Andresen, Eugénio de Andrade e Ondjaki.





Semana da Leitura: Clássicos contados aos mais novos

Um grupo de alunos do 9.º B apresentou, com muita expressividade, a todos os alunos do 7.º ano o Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, adaptado aos mais novos por Rosa Lobato de Faria, das edições Quasi. 
 As turmas do 7.º A, 7.º B, 7. C e 7.º D descobriram com grande curiosidade e divertimento este clássico da nossa literatura. Mostraram o seu apreço aos seus colegas do 9.º B que receberam uma forte aclamação (bem merecida).


Semana da leitura: os jovens leitores apresentam

Durante a semana da leitura, os alunos das turmas de quinto,  sexto e sétimo anos declamaram poemas ( O gato de louça de Álvaro Magalhães, O computador de Luísa Ducla Soares, Ser Poeta de Floberla Espanca, Mãezinha de António Gedeão...) e apresentaram sugestões de leitura. Destacaram-se as obras de José Luís Peixoto " A Mãe que Chovia, Álvaro Magalhães "O Limpa-palavras e outros poemas", Alice Vieira "Dom Quixote contado às crianças" , "Flora e Ulisses" de Kate Di Camillo, "O amigo gigante" de Roald Dahl, "Tristão e Isolda", "O mistério do quarto secreto" de E. Blyton (entre outros).











Semana da Leitura: Eu (também) acredito




A partir da leitura autónoma, em suporte digital, e da leitura orientada da obra de David Machado Eu acredito, os alunos das turmas B e C do quinto realizaram atividades de escrita criativa, com muito empenho e brio! As produções foram divulgadas na nossa BE, durante a Semana da Leitura. 

 Eu (também) Acredito


Eu acredito que posso voar, alcançar o mundo sem pensar.

Eu acredito que, ao sonhar, o meu coração voa no ar, perdido no espaço, alcançando estrelas sem pensar.

Eu acredito que as estrelas são fogos-de-artifício que fugiram pelo espaço fora.

Eu acredito que os trovões são o som dos deuses zangados.

Eu acredito que existem fadas que nos protegem do perigo.

Eu acredito que, um dia, o universo será meu.

Eu acredito que podemos melhorar o mundo através do pensamento.

Eu acredito que, quando saímos de casa, os nossos brinquedos ganham vida.

Eu acredito que as palavras más um dia desaparecerão, para nunca mais voltarem.

Eu acredito que um dia irei voar e tocar no céu.

Eu acredito que a imaginação não tem fim.

Eu acredito que, quando eu deixar de ser mentiroso, o meu nariz parará de crescer.

Eu acredito que, um dia, todas as pessoas poderão ser felizes.

Eu acredito que, quando dormimos, os sonhos nos mostram o nosso futuro.

Eu acredito que as borrachas podem apagar memórias.

Eu acredito que, à noite, os brinquedos se mexem e se escondem, para eu não os encontrar.

Eu acredito que, quando o sol nasce, um sorriso aparece.

Eu acredito que a palavra AMOR é infinita.

Eu acredito que, quando me apaixonar, vou flutuar até ela me abraçar.

Eu acredito que chove quando as nuvens lavam os dentes.


 
Eu acredito que os bolsos são mochilas pequenas.

Eu acredito que as sombras são pessoas escondidas.

Eu acredito que as estrelas são feitas de pó mágico.

Eu acredito que quando adormeço os meus bonecos ganham vida.

Eu acredito que os livros comem palavras.

Eu acredito que quando estou a ler um livro ele ganha vida.

Eu acredito que a palavra acredito acredita em várias coisas.

Eu acredito que debaixo da minha cama existem umas escadas que levam para o mundo da fantasia.

Eu acredito que a lua é um queijo que um dia uma criança vai comer.

Eu acredito que um dia os assobios vão ser flautas maravilhosas.

Eu acredito que a chuva são as lágrimas de todas as pessoas que sofrem.

Eu acredito que as ondas são os batimentos do coração do mar.

Eu acredito que as estrelas são feitas de mel.

Eu acredito que todas as pessoas mortas são as estrelas do Universo.