segunda-feira, 23 de março de 2015

Semana a Leitura: POESIA LUSÓFONA EM FESTA!


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   Os alunos do 1.º ciclo das escolas do Vale do Âncora festejaram o Dia da Poesia com os poetas lusófonos, no âmbito da celebração dos 800 anos da Língua Portuguesa
   Os alunos mais novos abriram os festejos com autores portugueses. Apresentaram, com muita dedicação,  poemas de Matilde Rosa Araújo e de Luísa Ducla Soares. 
   Depois, ouviram-se as vozes dos alunos do 2.º ano que presentearam a comunidade (colegas, professores, familiares e funcionários) com textos da poetisa brasileira, Cecília Meireles. 
   A seguir, os alunos do 3.º e 4.º ano comunicaram os resultados das suas pesquisas sobre as biografias dos poetas lusófonos escolhidos e as bandeiras dos seus países de origem. Declamaram, com muito entusiasmo, os poemas: O Primeiro Astronauto de Mia Couto, Ser SER de Ondjaki, Café de Ribeiro Couto, Trem de Ferro de Manuel Bandeira, A Lenda da bruxa de Conceição Lima, A Borboleta de Odylo Costa filho, Não vale a pena pensar de Manuel Rui, Saõ estes os meus rios de Manuel Lima,  O Pescador Velho de Glória Sant' Anna e Meninos e meninas de Fernando Sylvan.



O PRIMEIRO ASTRONAUTA
O primeiro astronauta
devia ter sido
Silvestre José Nhamposse
Só ele
teria sacudido os pés
à entrada da Lua 
Só ele
teria pedido
com suave delicadeza:
- dá licença?
                                 MIA  COUTO (Moçambique)


SER SER


Seja ruído
Seja beijo
Seja voo
Seja andorinha
Seja lago
Seja pacatez de árvore
Seja aterrizagem de borboleta
Seja mármore de elefante
Seja alma de gaivota
Seja luz num olhar
Seja um cardume de tardes
E grite: JÁ SOU
                        ONDJAKI (Angola)



CAFÉ
Sabor de antigamente, sabor de família.
Café que foi torrado em casa,
Que foi feito no fogão de casa, com lenha do mato de casa.

Café para as visitas de cerimónia,
Café para as visitas de intimidade,
Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada, para toda gente.

                                             RIBEIRO COUTO (Brasil)


TREM DE FERRO
Café com pão
Café com pão
Café com pão
  
Virgem Maria que foi isso maquinista?
  
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
                MANUEL BANDEIRA (Brasil)


A LENDA DA BRUXA
San Malanzo era velha, muito velha.
San Malanzo era pobre, muito pobre.
Não tinha filhos, não tinha netos
Não tinha sobrinhos, não tinha afilhados
Nem primos tinha e nem enteados
Ela era muito pobre e muito velha
Muito velha e muito pobre era.
Era velha, era pobre San Malanzo
Pobre e muito velha
Velha e muito pobre
Era velha e pobre
Era pobre e velha
Velha pobre
Pobre velha
Velha
Pobre
Feiticeira.
                  CONCEIÇÃO LIMA (São Tomé e Príncipe)




NÃO VALE A PENA PENSAR
O capim não foi plantado
nem tratado,
e cresceu. É força
tudo força
que vem da força da terra.
Mas o capim está a arder
e a força que vem da terra
com a pujança da queimada
parece desaparecer.
Mas não! Basta a primeira chuvada
para o capim reviver.

                                  MANUEL RUI(Angola)



PESCADOR VELHO

Pescador vindo do largo
com teu calçado de algas
diz-me o que trazes no barco
donde levantas a face
  
a tua face marcada
pelo sal de horas choradas
dá-me o teu peixe pescado
bem lá no fundo do mar
  
-nesta água não tem peixe -
 

pescador dá-me um só peixe
nem garoupa nem xaréu
só um peixinho de prata
  

-nesta água não tem peixe
foi tudo procurar deus
prò lado do Zanzibar.
                                

                                GLÓRIA DE SANT'ANNA (Moçambique)


MENINAS E MENINOS 
 

Todos já vimos
nos livros, nos jornais , no cinema e na televisão
retratos de meninas e meninos
a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos
nos livros, nos jornais , no cinema e na televisão
retratos de cadáveres de meninos e meninas
que morreram a defender a liberdade de armas na mão.

Todos já vimos!
E então?
                   FERNANDO SYLVAN (Timor leste)




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